quarta-feira, 20 de março de 2013
se realmente desejas saber
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
As escolhas e as dores
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Boêmia encantadora
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Relacionamentos infantilizados
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Melancholia
- Mas é aquela sensação, você sabe, de sentir tudo que tudo em sua volta está em paz e que, sei lá, você ajudou a construir essa paz.
- Você, construir?
- É, conseguir...
O rei do mundo da minha cabeça, onde tudo é distorcido - pro bem ou pro mal -, conversando comigo mesma, imaginando as piores e melhores retóricas de alguém que muitas vezes penso ser você, mas sou eu disfarçada para ver, quem sabe, consigo me convencer de algo - e nem sei do que quero me convencer! De que a vida é bela? De que há amor? Eu sei, eu sei. Mas como sorrir se minha vida, meu amor, estão tão longe de mim?
- Ah, quanto mimimi!
- É, isso não é sobre você, é sobre eu e meu mundo de esperanças e frustrações. E questões, muitas. Não me calo! (e, shh, ninguém me ouve)
Mas depois de tanto falatório mudo e conversas solitárias, no fim da noite, de baixo de cobertas, sabe o que fica dos meus dias? Um bonito "foda-se, logo menos vou visitar o seu mundo" e me re-encantar por todos os outros mundos. Eu vou, mesmo, acredite - mesmo assim, de cabelo oleoso, maquiagem borrada e pijama furado, eu vou.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Um bilhete para Ninguém
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Carta ao anonimato.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Pintando Você
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Edições
P.S.: Porque quando nos fechamos ao mundo, temos que nos abrir de alguma forma.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Reconstrução, parte 02.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Reconstrução, parte 01.
Adolescentes usam drogas, se dizem alcoólatras e sente orgulho de si mesmas por isso. Idolatram sexo com desconhecidos e dizem que as prostitutas são vagabundas que não merecerem respeito, que não tem dignidade e valor/amor a si próprio. E eu? Pergunto-me a diferença entre tais adolescentes e as prostitutas – ou melhor, prefiro a segunda. Crianças arrogantes, depressivas e egoístas (explicam a raiva dos outros por elas como inveja!) Portanto, isso não afeta minha vida enquanto fico fora de redes sociais e suas esperanças de mudar o mundo real virtualmente. Irrito-me ao ver telejornais, violência gratuita. Roubam aqui, matam lá; estrupam em todo lugar. E vão presos para serem traumatizados e são libertos para tirarem nossa liberdade e direito. É tudo uma contradição. Não consigo culpa-los por todas suas atitudes pois todos temos um passado – é tudo sempre culpa da educação que tivemos, das chances que não tivemos. Ou seja, da sociedade. Quem disse que tem de haver pessoas ricas, e outras pobres? Porque não podem distribuir igualmente os benefícios e malefícios do planeta? Quem está vigiando os atos de nossos governantes?
domingo, 1 de maio de 2011
Deus contra humanidade
Soube por partes. OSama morreu. E pensei porque dar importância para a morte de alguém tão ruim? Pessoas assim não merecem ser lembrados, comemorar sua morte é dar muita importância – como quando aquele namorado lindo termina com você, e você pensa “chorar por você é gastar lágrimas à toa”, sabe?. Realmente, não sei porque insistem em lembrar de pessoas más. O mundo ficaria mais saudável se lembrar-mos somente dos bons. E não quero ser amiga dos americanos, direi as mesmas palavras quando Bush morrer. Devemos lembrar deles somente nos livros de história, que tal?
Vinte minutos depois me aparece o vídeo do Obama, gravado na White House. Bom, acordaram o cara a essa hora para isso? Coitado. Começo a ver o vídeo, em inglês, sem legenda e fico entendiada. Então ouço ‘They kill OSama’. E COMO ASSIM? Volto o vídeo. “Finalmente, uma semana atrás eu determinei que tínhamos informações (‘inteligencia’) suficientes para agir e encontrar Osama Bin Laden e trazê-lo para JUSTIÇA. Hoje, na minha direção (...) um pequeno grupo de americanos cuidaram da operação com extrema coragem e capacidade, nenhum americano foi morto – eles tomaram cuidado para não machucar cidadãos. Depois de troca de tiros, eles mataram Osama Bin Laden.”. E então: fiquei feliz, indiferente, triste? Não, inconformada e com raiva, muita raiva.
Posso parecer ingênua, mas gostava do OBama e quando OSama os atacou, não chorei como a maioria. Não gosto da mentalidade dos americanos, eles são tudo o que existe de ruim. Eles mereceram e deveriam ter mudado após o ataque de 11 de Setembro. Parar de querer dominar o mundo, de tudo ser do jeitos deles. Eles são um grupo de patricinhas mimadas – com exceções e sim, adoro música america, daqueles artistas que são as exceções, por isso não suporto Black Eyed Peas e valorização de carro, mulher, roupa e dinheiro – isso É os Estados Unidos. E isso É muito triste. Eu não tenho carro, não sou modelo de mulher perfeita, tenho dinheiro suficiente e sim, sou feliz, obrigada. Osama morreu e estou com medo: quem vai ter a coragem de enfrentar os USA?
Mas, voltando. Todos dizem amar a Deus, sabe? O amam assim, loucamente, cegamente, e claro, falsamente. Não sou católica, porém acredito que somente Deus (essa força maior que nós, que não sabemos explicar e ficamos criando histórias para tentar entender, aproveitando para podermos manipular os outros, sabe?), de novo: somente DEUS pode tirar a vida de alguém. É também o que ouço sair da boca das mesmas pessoas que estão felizes pela morte do OSama – por isso e tanto mais, falsamente.
Porque, Deus, todo mundo é tão falso? Sim, você é muito falso. Fica falando de amor, respeito, humildade, de DEUS, de consideração, compreensão, solidaderiedada, sustentabilidade e SÓ FALA! E fala o nome dele em vão, e acreditam que tal coisa é proibida. Estou em desespero. 2012 tem que chegar, só assim, esse belo mundo será salvo de sua infecção – nós.
Realmente é muito, mas muito mesmo difícil viver só amor e respeito.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Morte Fetal
domingo, 5 de dezembro de 2010
Pequena Ficção da Vida Real
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Todo Amor Que Houver Nessa Vida

Desci pelas escadas mesmo, distrair o choro. Fechei o portão do prédio e a desgraçada – desespero? angustia? - veio com tal impacto que me sentei na sarjeta. Olhei para o céu e vi o preto, o escuro – não havia estrelas naquela noite e assim sendo, minha cabeça caiu em meus joelhos com as lágrimas começando a cair e o ódio que sempre senti por mim voltando, aumentando.
- Sara!
Maldita voz que nunca vou esquecer. Não precisei olhar para cima, para ver quem era: Lucas.
- Espera aí!
Tirei meus saltos guardando-os na bolsa, sujando tudo que havia lá dentro. Respirei fundo, levantei e comecei a correr, mas não fugi mais longe do que dois quarteirões, meus pulmões cansaram de mim e para ajudá-los acendi um Marlboro Light e comecei a andar. Já não sabia onde eu estava, sua casa ficava do outro lado da cidade, lado que nunca conheci antes... Mas quem se importaria? Não ligo em me perder, não mais (e qualquer coisa, era só chamar o táxi.).
Para ser sincera me perdi em você. Você que enchia minha bola com todo seu amor, me levava pra festa e testava meu sexo com ar de professor, não entende que eu só fazia promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom?E se eu te escondi a verdade, baby, era pra te proteger da solidão. Tudo isso faz parte do show, meu amor. Confundia tuas coxas com as de outras moças te mostrando toda dor. Sou do tipo que vaga na lua deserta das pedras do Arpoador, digo ‘alô’ ao inimigo e encontro um abrigo no peito do meu traidor. Faz parte do me show, meu amor. Inventava desculpas, provocava brigas, dizia que não estava. Vivia num clip sem nexo, num pierrô-retrocesso, meio bossa-nova e rock’n roll. Faz parte do meu show, meu amor.
Mas não veja isso como algo romântico, não é sua culpa - talvez, bem talvez, seja minha afinal fui eu quem te procurou e eram bons tempos aqueles. Ficar te olhando, flertando, te desejando e só. Mas gato, eu acabei estragando tudo quando fui te perguntar o que faria mais tarde aquela noite.
Sabe, a minha intenção não era de ficar. Era só aquela noite e, talvez, alguma outra, assim, ‘quem sabe quando’. Mas você teve que se apaixonar por mim e estragar tudo, me chamar pra sair no outro fim de semana sendo que eu deveria ter te visto lá, no mesmo lugar, e por um tempo fingirmos não nos conhecer, sabe, só pra vontade crescer. E deveria ter sido mais fria – algo que percebi que, por mais que tente, não consigo – e não aceitado o convite. Enfim, era tarde de mais.
Lucas, a gente conversou sobre isso. Você era um tanto exagerado, dizendo sempre que eu era o amor da sua vida daqui até a eternidade, que nossos destinos foram traçados na maternidade. Paixão cruel essa, desenfreada. Me trazia mil rosas roubadas para desculpar suas mentiras, suas mancadas. Exagerado, jogado aos meus pés, você era mesmo exagerado. E eu que adorava um amor inventado... Dizia que nunca mais ia respirar se eu não te notasse, que poderia morrer de fome se eu não te amasse. Que por mim largaria tudo, ia mendigar, roubar, matar – até as coisas mais banais. E eu que adorava um ‘é tudo ou nunca mais’. Você era mesmo exagerado. Mostrava que por mim, você largava tudo – carreira, dinheiro, canudo. E eu que adorava um amor inventado...!
Tivemos brigas nesse pouco tempo juntos e você sempre voltava com flores. Gostava delas, mas deixava-as em meu quarto enquanto morriam. O problema é que elas não me convenciam de que tudo ia dar certo pra gente, e por que não me convenciam? Oras, pelo seu olhar quando as entregava. Tanto orgulho, certa arrogância. Fazia aquilo para que eu ficasse perto de você, não porque era seu jeito de ser... Bom, talvez fosse, mas não foi isso que eu entendi.
Você nunca soube que esse relacionamento terminou nesse dia que aqui descrevi e já não temos porque mentir, você fingir que perdoou, tentarmos ficarmos amigos sem rancor. A emoção acabou, querido - que coincidência é o amor: a nossa música nunca mais tocou. Pra que usar de tanta educação? Pra destilar terceiras intenções? Desperdiço o meu mel, devagarzinho, flor em flor, entre os meus inimigos, beija flor. Eu protegi teu nome por amor, em um codinome beija flor. E eu que não respondia nunca para qualquer um na rua, beija flor, deixei você dizer dentro de minha orelha fria segredos de liquidificador. Você sonhava acordado, um jeito de não sentir dor, enquanto eu prendia o choro e aguava o bom do amor.
E aquele outro, ajudou. Era a pura decadência, darling. Mas não se preocupe, não te culpo por isso, nunca culpei. Eu só estava passando por uma fase difícil e vi em você alguém que me ajudaria e ir mais para baixo principalmente depois que você quis me ensinar a fumar e me convidou para um vinho. Você era o meu Sebastian, como já te disse. Era o lado ruim dele, tudo que eu precisava.
E não me perdi, descobri onde estava logo que virei a segunda esquina e me lembrei que você morava perto de onde nos conhecemos, e sabia como ir pra casa de lá, então eu fui. E descobri porque não havia tantas estrelas naquela noite: já não era noite, era bem noite – cinco horas da manhã, pra mais. Pois é, o que falar para os pais? Tudo bem que já tinha dezoito anos, mas para eles era: ‘ainda’ dezoitos anos. É, eu tinha um lugar pra fugir. Mas, nossa, como você me fazia mal! Desculpa, mas é - qualquer um pode confirmar. Gostava de ti, era divertido ás vezes, mas não dava. Momento errado. Pra mim, pra você.
O nosso amor, querido, era uma mentira que nossas vaidades queriam. O nosso amor foi inventado pra gente se distrair, e agora, acabado, a gente pensa que nunca existiu. Te ver já não era tão bacana quanto a semana passada e eu nem arrumei a cama, parece que fugi de casa e deixei tudo fora do lugar: café sem açúcar, dança sem par.
Ando fugindo muito do texto, né? Descobri onde estava, certo. Não estava de noite, certo. Mas também não tinha amanhecido, sorte que guardei o número do moto táxi na carteira e voltei pra casa. Era bom andar de moto, pena que era com um cara feio e que eu não conhecia e foi aí que pensei: meu próximo namorado tem que ter moto. Claro que isso não era verdade, não por completo. Darling, darling, sair com você era tão complicado quanto mandar meu gato sair de cima do sofá. Tudo era tão complicado! Lembra daquele dia que dormi na sua casa? Pais não ficaram sabendo, claro, já não gostavam desse relacionamento, mas eu não podia voltar pra casa. Tudo bem, ok, estava na amiga. Ah! Decadência! Voltando ao passado, aquela vontade de poder estar em todos os lugares do mundo, menos em casa. Agora me lembro, por isso aceitei ir pra sua casa. Digo, ‘dormi’ na sua casa... Claro que não dormi, não durmo na casa dos outros. Fiquei acordada a noite inteira – das cinco às sete da manhã – para as oito, eu decidir ir a pé pra casa. Pura autodestruição, você sabia e nada podia fazer. Imagino a impotência que sentiu nessa hora. Não, Lucas, não me importava com o que você achava, com o que você quisesse que eu fizesse. Queria você para ter aonde fugir, e com quem já que a solidão me espanta. Vão dizer que te usei, mas não sou má assim, gostava da sua companhia, do que fazíamos, mas acontece que aquela não era eu. Só isso.
Naqueles dias, cada aeroporto era um nome no papel, um novo rosto atrás do mesmo véu – um estranho que me quer. E eu queria tudo, tudo, no próximo hotel. Você só queria me amar, mas não havia promessas: era só um novo lugar. Você sabia, sou somente uma miserável, vagando derrotada, uma semente mal plantada. Não, não sei amar.
O meu problema não é só sua presença – é o mundo! A raiva disso tudo voltou com você, sempre revoltado chegando a ser irracional. Nossas conversas sobre seu Deus, sobre o fim do mundo e respeito pelo planeta faziam meu medo aumentar, querido. O Cristo sempre com os braços sempre abertos e sem proteger ninguém: me dava vontade de forrar a parede do meu quarto com manchetes de jornal pra ver que não é nada sério. E você não percebe o quanto essas conversas mexiam comigo? Dou meu desprezo pra você que me ensinou que a tristeza é uma maneira da gente se salvar depois. Veja que as possibilidades de felicidade são egoístas, meu amor - depois da grande noite, eu vou esconder a cor das flores e mostrar a dor, a dor. E eu quero te contradizer, dizer que o mundo é azul, te perguntar qual é a cor do amor, te informar que o meu sangue é negro, branco, amarelo e vermelho. Eu sei que não nos convidaram pra essa festa pobre que os homens armaram pra nos convencer a pagar sem ver toda essa droga que já vem malhada antes d'agente nascer, mas saiba que por essa grande pátria desimportante em nenhum instante eu vou trair-la.
Depois do nosso fim, Lucas querido, eu me entristeci. Mas quem nunca ficou triste? As guerras são tão tristes e não tem nada demais. Deixem-me! Correndo atrás dos carros feito um cachorro otário. Deixem-me! Quebrando objetos inúteis como quem leva uma topada. Deixem-me! Amolar e esmurrar a faca cega, cega da paixão e dar tiros a esmo e ferir o mesmo cego coração. Mas não precisa chamar a polícia, nem o hospício, não - todos sabem, que eu não posso causar mal nenhum a não ser a mim mesmo.
Esse seu jeito “Pedra, Flor e Espinho” não me convenceu, mas causou medo. Um medo que você não entendia e que eu não podia controlar. Senti medo de você, querido, medo de verdade. Sua presença me causava pavor, e tudo o que eu quero era a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta a mordida. Queria a poesia que a gente não viveu, o tédio que não virou melodia. Queria não sentir o que sentia quando estava perto de você: uma puta – sem querer ser grossa.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
cap. 23, pág. 64
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
A festa, as cores e o rapaz.
Estava no começo da minha juventude: 18 anos. Algumas coisas haviam mudado e não acreditava como me deixavam comprar bebidas sem haver uma expressão de ‘sério?!’, apesar de muitas vezes escutar o comentário: ‘mas tem carinha de 12!’. Normal.
Porém nesse fim-de-semana haveria uma festa, dessas de homens de terno, músicas calmas no começo e DJ no fim. Minhas amigas estariam todas ocupadas com vestibulares e família, mas criei coragem para ir sozinha – fazia tempo que queria saber como é ir em lugares lotados sem ninguém conhecido por perto, enchendo o saco. Havia colocado um vestido longo preto e decotado – claro, com uma sandália igualmente preta. Gostava de usar preto por ser tão branca, a diferença me encantava.
Cheguei tarde na tal festa, como queria, e logo observei quem estava por lá: ninguém que conheço... Tinha conseguido o convite pela tia da Bárbara, da high society. A Bárbara, enfim, estaria por lá, mas teria obrigações de parente da anfitriã.
Andei em volta do salão e vi que havia um espaço aberto com flores, pedras e um chafariz. Mas não cheguei a ir, estava um vento frio e o bar era do outro lado e virando para a direita, vi a Bárbara chegando com um sorriso no rosto:
- Ah que bom que você veio! Pelo alguém de quem eu realmente gosto está aqui! – Dois beijinhos no rosto – E como você está? Tá linda viu? As outras meninas não puderam vir né, véspera de vestibular é bem complicado, mas espero que você goste da festa mesmo assim!
E sem conseguir responder a nada, ela virou e foi cumprimentar o primo. Eu segui meu caminho rumo ao vinho.
O balcão formava um quadrado dentro do salão, dentro havia as bebidas e os bar-man. Fora ficavam os bancos, no qual me sentei e mudando de idéia pedi uma batida de vodka com morango, a entrega fora rápida. Virei de costas para o bar a principio de ver as pessoas... Mulheres, vestidos; homens, terno. Sério, tinha cada roupa feia nesse lugar. Meninas da minha idade usavam vestidos azuis, florescente! Eu ri, principalmente quando vi duas delas vestidas igualzinhas, mas acabou ficando chato de se ver e voltei a mexer no meu copo.
*
As horas passaram e o jantar já tinha sido servido – eu comi tudo que não me deu nojo... Comida de rico é estranha: lagostas e polvo não eram muito agradáveis. Fiquei no básico arroz, strognoff, salada e outras coisas que não sei o que era. Sentei na mesa onde tinha o meu nome e conversei com as pessoas ao lado por no máximo dez minutos – que foi o tempo de comer e arrumar uma desculpa para não ouvir mais o rapaz ao lado falar.
Voltei ao meu lugar e quando pedi um copo de refrigerante, se intrometeram:
- Refrigerante? Com tanta bebida de graça?
- Né, pois é.
- Já bebeu de mais?
- Também.
- Acontece.
E sentou do meu lado, o que me fez olhar para seu rosto. Cabelos pretos, olhos pretos, pele branca. O que me fez olhar para seu corpo. Terno, sapato, proporcional a face. Era um homem, uns vinte e cinco anos, aparentava ser bem decidido, sucedido, confiante. Sorri, e logo virei para receber meu refrigerante enquanto davam á ele o uísque.
Tomou-o em um gole, nada mais pediu e continuou lá. Eu ficava rindo, e ele olhando para mim.
- Gosto do seu cabelo, não é preto.
...
- Afinal, que cor é essa?
- Tentativa de vermelho.
- Uau, fracassou legal hein.
- Cala boca.
- Haha, mas poxa...! – ficou de frente para o meu lado. – Eu ainda assim disse que gostei do seu cabelo.
- É, valeu.
Da outra sala veio o som da música,lenta. Ele olhou para o chão. Eu tentava demonstrar que não o via. Olhou para mim e riu.
- Quer dançar?
Olhei para ele, roubei o uísque que ele havia pedido.
- Eu não tenho idéia de como se faz isso, querido.
- Vem logo. – me pegou no braço fazendo o banco girar e segurou minha mão. Levantei quase caindo e lá fomos nós, “dançar”.
Não conhecia a música que estava tocando, bossa-nova me parece, mas não importa também. Logo que chegamos ao salão ele segurou minhas mãos, olhou para mim olhando para ele, puxou-me para perto e começou a mexer os pés e eu tentando acompanha-lo. Pisei no pé dele várias vezes, de propósito. Subi em cima dos pés dele por vontade própria, mas logo desci. O salão não estava tão cheio, só com alguns casais lá do outro lado.
“Dançamos” mais um pouco, até quando pisei no pé dele, de novo, e acabei por me apoiar na parede. Ele me segurou pela cintura, nos olhamos e nos beijamos. Sua mão continuava em minha cintura, a outra estava em meu pescoço. Eu o abraçava e mexia em seu cabelo. Ele começou a descer, beijar meu pescoço e descer para meus seios. Colocou a alça do vestido para o lado, abaixou um pouco o pano preto que tampava meu corpo, e logo viu meu sutien azul não-florescente e de renda.
- Aqui não.
Com tudo no lugar, fomos mais adiante, naquela parte de flores, pedras e chafariz. As pedras no chão formavam um caminho, ao lado dela havia as flores e árvores e antes delas, tinha o chafariz, depois das pedras, tinha uma casa. Bem pequena, de criança brincar. Ao caminho dessa casa, o vi. Bem ali, ELE. Que infernos ele estava fazendo lá? Já tinha me tido que não gostava de tirar a liberdade das pessoas de terem outras. Que me queria, mas também adora a intensidade de uma paixão desconhecida; Ele me viu também, sorrimos e ele sumiu. Entrei na casinha com o Vinte E Cinco Anos um tanto abalada pelo encontro. O Vinte E Cinco Anos colocou-se a minha frente e perguntou se estava tudo bem.
- Claro. - Sorriu, acariciou meus cabelos e me beijou.
A casa não era tão pequena, não era de criança brincar – não sei nem porque a fizeram bem lá. Mas não havia mais ninguém á menos de cinco metros de distância. E havia também uma cama. A casa era inteiramente branca, por fora e por dentro. Não havia uma porta de entrada, logo era a sala e ao lado um ‘quarto’, onde estava a cama, também branca. Não havia portas – a não ser a do banheiro. E enquanto eu estranhava tudo isso, o Vinte E Cinco Anos me puxou pela mão, me pegou na cintura e recomeçou com os beijos. Recomeçou no pescoço, nos seios enquanto eu desabotoava sua calça, tirava seu paletó, arrancava a gravata. Logo estávamos somente com de roupa íntima e nos olhamos sem fôlego, sem entender e sorri; sorrisinho de lado, safado. Ele adorou e estávamos na cama, cada vez mais sem menos fôlego, cada vez mais sem entender, cada vez mais sem pensar.
O desconhecido, o passado ali presente e o perigo deixaram tudo excitante, intenso. Logo estávamos deitados, olhando para o teto branco.
- Tenho que ir.
- Me liga.
Ele sabia que não tinha seu telefone, nem ele o meu.


